Empreendedora transformou desafios pessoais em força para construir a própria marca e recuperar a autoestima por meio da moda.
A trajetória empreendedora de Estella Barros Macedo, de 51 anos, é marcada por recomeços, coragem e transformações. Natural de Formoso (TO), nasceu em uma fazenda na região em 1975, Estela sempre esteve cercada pelo universo da costura, área em que sua mãe trabalhava para sustentar a família sozinha.
Relação com a Moda
A moda surgiu cedo em sua vida. Aos 15 anos, conquistou o primeiro emprego em uma loja de tecidos e, desde então, construiu uma trajetória ligada ao varejo e ao segmento fashion. Apesar da costura já fazer parte de sua infância, foi apenas após engravidar do filho que começou a costurar profissionalmente. “Costurar mesmo eu comecei depois, quando fiquei grávida do meu filho. Mas minha ligação com a moda e o varejo já vinha de antes”, comenta Estella.
Também adquiriu experiência com vendas quando se mudou para Brasília (DF), onde morou por 15 anos. Nesse período, trabalhou em shopping centers com marcas como Benetton, Hering e Babioli.
Lutas e recomeços
Apesar da experiência no varejo e no setor da moda, o empreendedorismo não foi um caminho fácil. Ao lado da irmã gêmea, começou um negócio, mas devido à falta de experiência em gestão e ao pouco conhecimento administrativo, tiveram dificuldade em manter o negócio e acabaram falindo.
“Foi a nossa primeira experiência, sem nenhum conhecimento. Porque, quando a gente trabalha no varejo, conhece o administrativo até certo ponto. A gente gerencia vendas, gerencia aquele ambiente, mas não sabe o que há por trás: a parte burocrática da confecção’’, explica.
Pouco tempo depois sozinha e grávida, Estella enfrentou desafios emocionais e financeiros. Desiludida com a área ainda seguiu na costura, mas sem aquele animo e felicidade que existia antes, fazia apenas para tentar reconstruir a vida. ‘‘Aprendi a costurar, aprendi malharia, mas estava desencantada porque meu emocional não estava bom, era muita coisa’’, comenta.
Nessa época, conheceu uma pessoa com quem manteve um relacionamento por quatro anos, ele ajudou com um apoio inicial e comprou máquinas para que começasse outra vez, abriu outro negócio com outra irmã, mas, mais uma vez, a experiência não deu certo.
“Depois veio outra bomba na minha vida: meu ex-marido pediu separação. E eu fiquei totalmente sem rumo de novo. Me perdi’’, relembra com tristeza.
Foi ao trabalhar na academia da sobrinha que Estella enxergou uma nova oportunidade de recomeço. Durante dois anos, apenas trabalhou na academia, até que o marido e a sobrinha sugeriram a produção de uniformes para o local.
Concordando com a ideia, Estella começou a fazer esses uniformes e de repente aquele amor que estava adormecido retornou. “E começamos com os uniformes. A ideia funcionou. Depois, começamos a produzir algumas peças próprias para ela, e o resultado também foi positivo. Foi quando voltou minha vontade. Eu senti que era isso que eu queria para mim. Comecei a me olhar e a entender qual era o propósito de Deus na minha vida’’, comenta.
Depois de várias tentativas, separações e momentos de insegurança, Estella voltou a encontrar sentido no empreendedorismo por meio do segmento fitness. A produção começou com uniformes para academias e, aos poucos, evoluiu para coleções sob medida.
Hoje, à frente da própria marca Estella Barros, trabalha com roupas casuais femininas voltadas para o público de mulheres entre 25 e 50 anos que buscam conforto, autenticidade e identidade nas peças do dia a dia.
A empresária se prepara para apresentação de sua coleção ‘‘Brasilidade’’, que será apresentada no mês de junho durante desfile na Feira Empreendedora.

Relação com o Programa Donas do Negócio
Além da experiência profissional, Estella destaca a importância do projeto Donas do Negócio em sua trajetória de fortalecimento pessoal e empresarial.
“O Donas do Negócio agregou conhecimento. Para mim, o Donas é autoestima, é crença em mim mesma. Além desse apoio financeiro inicial que o programa me deu, me fez enxergar que eu sou muito mais, que posso muito mais do que ainda faço hoje’’, afirma.
Segundo Estella, todo o aprendizado fortaleceu sua trajetória como mulher, empreendedora e mãe. A partir dessa experiência, passou a compreender ainda mais o próprio negócio e reconhecer a importância de seu trabalho.
“Os clientes começaram a chegar, e eu tinha medo de cobrar um preço justo. Um cliente apareceu na segunda-feira pedindo um vestido de festa para entregar na quarta. Pensei: ‘Para conseguir fazer isso com essa agilidade, vou precisar parar tudo’. Então, fiz minha primeira cobrança mais alta: cobrei 600 reais. E ela pagou. Foi nesse momento que perdi o medo de valorizar o meu trabalho. A partir daí, minha autoestima começou a mudar.”
“O programa Donas do Negócio me deu um capital inicial para poder começar e hoje eu luto para multiplicar’’, explica Estela e também afirma que encontrou no empreendedorismo uma maneira de ajudar outras mulheres a voltarem a ter autoestima e autoconfiança.
Estela deixa uma mensagem simples, mas carregada de significado para aquelas que querem começar, mas ainda não sabem como fazer. ‘‘Comece com o que você tem, do jeito que você está. À medida que você acredita no seu potencial e na sua capacidade, você cresce’’, comenta Estella.
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