Acesso a capital, redes de apoio e inovação ainda são desafios para as 10,4 mi de mulheres empreendedoras no país
A maioria das empreendedoras brasileiras inicia seus negócios em moda, beleza, alimentação e serviços, setores historicamente associados ao empreendedorismo feminino. O perfil geral confirma essa concentração; maioria entre 30 e 49 anos, cerca de 70% mães e mais de 70% atuando nessas mesmas áreas.
O número de mulheres donas de negócios no Brasil passou de 8,2 milhões para 10,4 milhões entre 2015 e 2025, crescimento de 27%, segundo estudo do Sebrae com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
No mesmo período, o empreendedorismo masculino avançou cerca de 11%, chegando a 19,9 milhões. A força do crescimento feminino, no entanto, convive com barreiras estruturais que persistem; acesso a capital, redes de apoio, inovação e mercado.
Para Ana Fontes, fundadora e CEO da Rede Mulher Empreendedora, esses números revelam tanto a força quanto os entraves enfrentados por mulheres empreendedoras. Cerca de 70% das mulheres empreendem após a maternidade, o que reforça a busca por flexibilidade, mas também amplifica a pressão sobre a rotina.
Mais de 55% das empreendedoras dependem da renda do próprio negócio para sobreviver. O acesso a capital está entre os principais obstáculos e vai além do crédito convencional; envolve microcrédito, fundos de investimento e investidores-anjo.
Inovação e acesso ao mercado
Ana Fontes descreve a realidade de muitas dessas mulheres empreendedoras com precisão; “Muitas delas falam que têm que, muitas vezes, parar durante o dia para socorrer uma questão com os filhos, uma questão com os pais, com a família, porque o cuidado ainda é uma questão muito forte para as mulheres — 80% da economia do cuidado é feita por elas.”
A ausência de sócios reforça a solidão da jornada. Para Ana Fontes, a conexão entre empreendedoras e o acesso a mentores são caminhos fundamentais para romper esse isolamento.
Ana Fontes reconhece a lógica desse movimento, mas aponta o limite que ele impõe. “Normalmente, essas mulheres empreendem em territórios de domínio delas, que são moda, beleza, alimentação fora de casa, serviços. Isso é o natural, não tem problema nenhum. Mas como fazer com que essas mulheres consigam inovar?”, questiona. Para ela, o obstáculo não está na falta de interesse, mas no acesso a conhecimento e ferramentas que possibilitem expansão dentro dos próprios setores.
Fonte: Urb News
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