Entre a gráfica, a nutrição e o bem-estar, Samayra Prado constrói uma trajetória marcada pela coragem, pela reinvenção e pelo desejo de ver outras mulheres prosperarem
A coragem é uma característica que atravessa toda a história de Samayra Prado. Aos 48 anos, com mais de duas décadas de experiência à frente de uma gráfica especializada em convites, ela aprendeu a transformar mudanças de mercado em oportunidades e descobertas pessoais em novos caminhos profissionais.
Natural de Maringá (PR), Samayra mudou-se para Campo Grande ainda na infância, aos 10 anos. Casada e mãe de um filho, iniciou a graduação em Odontologia, mas precisou interromper o curso devido à maternidade. “Meu filho era muito pequeno e a faculdade era em período integral. O coração fica apertado”, relembra. A partir daí, redirecionou sua trajetória acadêmica: formou-se em Publicidade, fez MBA em Administração e Comércio Exterior e se especializou em Comunicação Social com ênfase em Publicidade.

Primeira empreendedora da família, começou como sócia em uma gráfica voltada à produção de convites de formatura. Em 2007, identificou uma nova oportunidade de mercado e decidiu mudar o foco do negócio. “Percebi um nicho interessante e resolvi me especializar em convites de casamento e aniversário, aqueles que exigem mais cuidado na finalização”, conta.
A vontade de aprender e evoluir não parou por aí. Em 2023, Samayra voltou à sala de aula para cursar Nutrição, retomando uma antiga paixão pela área da saúde. Durante esse processo, descobriu ser intolerante ao glúten — uma mudança que impactou profundamente sua qualidade de vida. “Passei 40 anos com enxaqueca. Tirei o glúten da alimentação e, em uma semana, as dores desapareceram. Foi quase um milagre”, relata.
Da experiência pessoal surgiu um novo empreendimento: a Triplo Zero, uma loja de produtos sem glúten, sem leite e sem açúcar. “Quero que meus pacientes e clientes tenham saúde de forma integral. Somos um ser com várias vertentes, não dá para cuidar de apenas uma área da vida”, explica. Assim, Samayra passou a atuar também no segmento wellness, unindo empreendedorismo e bem-estar.
O Sicredi como aliado na trajetória empreendedora
Desde o início da sua jornada empreendedora, o Sicredi tem sido um parceiro importante. Associada há 25 anos, Samayra destaca o modelo cooperativista como um diferencial. “Eu acredito de verdade que sou dona do Sicredi. É uma parte pequena, mas é minha. Sempre que posso, priorizo o Sicredi nas minhas decisões”, afirma.

Há um ano, passou a integrar o programa Donas do Negócio. Mesmo com ampla experiência como empreendedora, ela considera a iniciativa fundamental para fortalecer negócios liderados por mulheres. “O programa leva conhecimento, capacitação e acesso a linhas de crédito. Muitas vezes, a mulher tem um negócio incrível, mas não consegue crescer por falta de ferramentas”, avalia.
Além disso, Samayra participa de uma rede voltada à saúde e ao bem-estar, onde coordena um programa de desenvolvimento feminino que atende mulheres em diferentes estágios do empreendedorismo. Para ela, o cuidado e a empatia são características naturais das mulheres empreendedoras. “Existe esse olhar atento para o outro, não só pela maternidade, mas pelo vínculo que criamos entre nós”, observa.
Na visão de Samayra, o empreendedorismo feminino vai além da geração de renda: é um pilar de sustentação social. “Quando uma mulher empreende, ela investe na casa, na família, na educação dos filhos, na alimentação. Por isso, acredito que o empreendedorismo feminino fortalece a comunidade e faz a sociedade crescer”, destaca.
Ela também ressalta a importância da capacitação, especialmente no equilíbrio entre o físico e o digital. “Muitas mulheres têm um ótimo produto, mas ainda não entendem que precisam estar presentes tanto na loja física quanto no online. O Instagram, por exemplo, é a vitrine do negócio, e não pode ser misturado com a vida pessoal”, explica. Para Samayra, esses conhecimentos são básicos, mas muitas empreendedoras não os dominam por falta de orientação.
Por fim, deixa uma mensagem para quem está começando: empreender vale a pena, apesar dos desafios. “É melhor ter lucro do que salário e poder conciliar a vida profissional com a familiar. Nós não fomos ensinadas a empreender e, muitas vezes, começamos por necessidade. Mas o medo faz parte. O importante é ir e aprender a enfrentá-lo no caminho”, conclui.
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